Eficiência energética e a Etiqueta PBE Edifica

A eficiência energética se tornou uma questão urgente. Como sabemos o consumo elétrico nas edificações comerciais, publicas e residenciais correspondem a mais de 48% do total gerado no Brasil, mas não é um problema somente em nosso país. Esse fato ficou mais evidente a partir de 2007, quando o planeta se tornou definitivamente urbano (mais da metade da população mundial vive hoje em centros urbanos).

Esse crescimento faz acender o sinal amarelo e a ONU (Organização das Nações Unidas) lançou em 2010 uma iniciativa conhecida como Sustentable Energy for All, que estabeleceu como uma das metas dobrar a taxa de eficiência energética globalmente até 2030.

O período entre 2014 e 2024 foi declarado pela ONU como a Década da Energia Sustentável para Todos, com a adoção de diversas ações globais. A Agência Internacional de Energia estima que quase metade das ações necessárias para conter as mudanças do clima terá que vir da melhoria da eficiência energética mundial.

Como consequência das conjunturas nacional e internacional a eficiência energética se apresenta como estratégia crucial para combater os efeitos negativos do aumento do consumo energético. Desse modo, o setor de edifícios tem um papel importante nas estratégias e nas ações de eficiência energética.

É sempre válido enfatizar que a energia mais barata é aquela que não se usa.

Para incentivar a eficiência energética no Brasil, desde 2009, o país conta com o Programa Brasileiro de Etiquetagem de Edificações (PBE Edifica), desenvolvido pelo governo brasileiro por meio de uma parceria entre o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e a Eletrobras/Procel Edifica.

O PBE Edifica é uma forma de avaliar o potencial de desempenho energético de uma edificação, obedecendo normas e regulamentos específicos, a fim de promover a eficiência energética. Encaixam-se nesses critérios projetos de edificações com estratégias bioclimáticas adaptadas as oito zonas bioclimáticas brasileiras, desenvolvidos com atenção à orientação solar, ao conforto térmico, ao aproveitamento da iluminação e ventilação naturais e ao uso de tecnologias mais eficientes.

Visto isso é importante ressaltar que edificações que privilegiem soluções sustentáveis tem maiores chances de obter a ENCE com classe A (mais eficiente), numa escala descendente que vai até a E (menos eficiente).

Essa inciativa brasileira de criar referencias para verificar o nível de eficiência energética de edificações vai ao encontro do que há de mais avançado no mundo. Todos os países da União Europeia são obrigados a ter programas de etiquetagem para eficiência energética nas edificações novas, sejam elas públicas, comerciais ou privadas. Em Portugal, uma das nações mais avançadas nessas questões, os classificados de imóveis nos jornais veiculam informações sobre a etiquetagem, porque os compradores portugueses consideram essa informação na escolha de um imóvel, para eles a tomada de decisão em comprar ou alugar um imóvel se dá, também, por seu consumo energético, ou seja, se o imóvel gasta mais ou menos energia elétrica.

A etiquetagem de eficiência energética é uma solução objetiva e eficaz para atestar o nível de eficiência de um projeto, de edificações e de produtos eletrônicos. Uma geladeira, por exemplo, só é vendida no Brasil com essa etiqueta. Por meio dela, o consumidor pode decidir se leva para casa um eletrodoméstico ou não.

O PBE Edifica propicia aos profissionais e ao consumidor final uma forma inovadora de se pensar as edificações no Brasil. Prédios podem (e devem) ser projetados para aproveitar melhor a luz do sol e criar sistemas de fachadas e vidraças que protegem a entrada excessiva de calor. Uma construção assim exige menos iluminação artificial e uso de ar condicionado.

Ainda, a maioria das edificações brasileiras geram grande desperdício de energia e, na prática, a etiqueta PBE Edifica serve como um indicador da eficiência energética de um produto ou de uma edificação. Faz sentido, portanto, que todas as edificações busquem estratégias melhores para a eficiência e diminuição do gasto energético, sendo que a etiqueta atesta essas práticas e demonstra para o consumidor final que aquela edificação realmente gasta menos energia.

Pense sustentável. Seja eficiente!

Até o próximo post!

Um abraço.

Arq. Wellington Pereira.

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